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08/03/2004 17:39
Ele entrou em sua casa. Antes já havia entrado em sua vida, em seu corpo, em sua alma. Era sempre assim, desde o princípio.
Ele entrava quando queria, saía quando bem entendia. E ela o amava e permitia.
Permitiu-se muita coisa, em nome do prazer de ter seu homem, sentir o calor de seu corpo. Arriscou-se por ele. Arriscou sua vida, sua reputação, seu emprego, sua vaga no céu, seu casamento.
Ela deixou-se usar por outro, a pedido dele. A contragosto, permitiu isso também, apenas para experimentar o prazer dele. Quando tudo que ela queria é que ele a amasse a ponto de não querer dividi-la com ninguém.
Mas ele amava outra. Ele sofreu quando a outra o deixou, e ela sofreu mais ainda.
Ele entrou em sua casa. Em seu quarto, em seu corpo. E o prazer era desesperado, pela urgência dos dois. Urgência dele em se desvencilhar, urgência dela em ter todo o prazer que lhe fosse permitido em tão pouco tempo.
E depois ele se foi e ficou o silêncio.
E ela decidiu não mais amá-lo, a partir de então.
enviada por Suzana
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